Paranapiacaba: saiba a verdade por trás do famoso mito do relógio

12 comments
Paranapiacaba: saiba a verdade por trás do famoso mito do relógio

Paranapiacaba é uma vila localizada na cidade de Santo André, em São Paulo. Com seu estilo típico inglês, ela ganhou força com a inauguração de sua linha férrea em 1° de janeiro de 1867, que inclusive foi a primeira ferrovia do estado de São Paulo.

A vila herdada dos ingleses é hoje um grande ponto turístico. Dentre suas atrações principais, está sua bela arquitetura, sua natureza exuberante (com diversas trilhas em meio a magníficas cachoeiras), e claro, seus mitos populares... um deles é muito conhecido, que é o famoso mito do relógio de Paranapiacaba.

Relógios de torre são verdadeiros símbolos ingleses, e claro que em Paranapiacaba não seria diferente. Nessa pequena vila de origem inglesa, existe um grande relógio de torre que até lembra o famoso Big Ben de Londres.

Como de costume em relógios de época, os numerais utilizados eram os romanos, mas o grande relógio de Paranapiacaba tem algo de "diferente". Você consegue perceber o que há de errado com esse relógio?


Repare na grafia do número 4. No algarismo romano, o número 4 é escrito como IV, mas nesse relógio encontramos o 4 como IIII. Seria um erro dos ingleses?




Segundo a lenda, a muitas décadas atrás, um maquinista de uma das composições estava prestes a sair da estação e cumprir o seu itinerário diário. Já dentro do trem, ele olhou para a torre do relógio através do espelho retrovisor do trem a fim de confirmar seu horário de partida, mas ele confundiu o IV com o VI por causa da imagem refletida, o que antecipou sua saída e acabou causado um acidente fatal com outro trem, matando muitas pessoas... e depois desse grande acidente, o número IV do relógio foi modificado para IIII, para evitar acidentes como esse no futuro. Mas será que essa lenda é verdadeira?

segredos de paranapiacaba

Nós do Curto e Curioso agimos como verdadeiros "James Bond", e fizemos milhares de pesquisas na internet para descobrir se o mito tem algum fundo de verdade, e descobrimos que essa mudança do número IV para IIII em relógios é muito, muito mais antiga que a história de Paranapiacaba...

Até hoje os especialistas e historiadores não chegaram a um consenso sobre a origem desse costume, e existem diversas teorias para explicar esse fato intrigante. Segundo estudiosos, as hipóteses mais aceitas sobre a troca do algarismo IV pelo IIII em relógios antigos são:


Facilidade na produção


mito do relógio de paranapiacaba
Como os numerais dos relógios eram forjados em metal ou esculpidos em madeira ou pedra, o numeral mais fácil de ser feito era o "I", afinal, se produzia uma grande barra fina que depois era cortada em várias partes para ter diversas unidades do mesmo algarismo. Por conta disso, alguns fabricantes optavam pelo 4 em forma de IIII do que o antigo (e correto) IV


Simetria e beleza


Segundo relatos de diversos especialistas na área, os números IV (4) eram trocados por IIII apenas por que era mais bonito de se ver. Do outro lado do relógio, temos um número muito pesado visualmente: o número 8, escrito como VIII, mas o lado oposto tinha o número IV, que não passava uma simetria no relógio, o que explicaria essa troca que perdura até os dias atuais. Essa teoria pode (facilmente) ser a verdadeira origem dessa mudança curiosa.


Romanos em respeito a Júpiter


deus jupiter simbolo
Desde a época em que relógios de Sol eram usados, os romanos já trocavam o IV por IIII como uma atitude respeitosa ao deus Júpiter, o deus de todos os deuses (equivalente a Zeus para os gregos). Isso era feito porque o número 4 (que se escrevia IV) simbolizava o deus de todos os deuses, Júpiter. Desde então, outras civilizações teriam adotado a forma romana de grafar os os relógios. Como os relógios de Sol realmente tinham a grafia IIII, essa história é a melhor aceita por alguns especialistas.



Voltando à lenda do relógio de Paranapiacaba, chegamos a conclusão de que pode até ter acontecido um acidente com os trens, mas com certeza esse não foi o motivo real da mudança nos numerais do relógio, afinal, o mundo inteiro também utiliza a forma "errada", e a muito mais tempo...




Gostou? Então curta nossa página no facebook.
Você vai adorar!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

12 comentários:

  1. muito legal a tua postagem gostei muito de ler leva meu Gostei ...AE rapaziada

    ResponderExcluir
  2. E, qual foi a postura da CIPA ? Em seu "competente relatório" , ele recomendou a alteração dos números romanos? Foi isso mesmo? A CIPA do Foz do Areia recomendou a "realocação" do trevo existente, lá. O DNER curvou-se diante do "relatório da CIPA" !!!!

    ResponderExcluir
  3. A regra da subtração usada na numeração romana que nôs aprendemos na escola foi criada na idade média pelos franceses, na época de Roma, tanto IV como VI era o número 6. Mas isto não explica porque o 9 está como IX em vez de VIIII.

    ResponderExcluir
  4. na minha cidade Apucarana PR o relogio da catedral esta igual esse com o numero 4 errado e o 9 certo

    ResponderExcluir
  5. Meu tio é relojoeiro aposentado e eu já vi, muitas vezes, na relojoaria dele, alguns algarismos 4 escritos em romanos, do mesmo jeito do relógio de paranapiacaba. Também me pergunto o porquê dessas mudanças em alguns relógios, principalmente os de parede.

    ResponderExcluir
  6. A verdadeira resposta é, realmente, por simetria e beleza, conforme comentado no texto.

    ResponderExcluir
  7. A verdade é que os romanos, na Roma Antiga, escreviam o algarismo 4 como "IIII" e 14, por exemplo, como "XIV". Anos mais pra frente aparece Descartes e diz que se XIV (14), XXIV (24), ou LIV (54) tem a unidade 4 como IV, por que não colocar o algarismo 4 como IV também?
    Daí então regularizou-se o algarismo 4 como IV. Moro em Poá e há um relógio no centro que também aparece o 4 como IIII, então todas essas lendas são irrelevantes. Hahaha

    ResponderExcluir
  8. A história de erro entre o IV e o VI é a que mais ouvi até hoje, pois confundiria o leitor em determinadas circunstancias, como um espelho por exemplo!
    Poisé! Como ficou claro pelos coments acima, independente de qual a origem do IIII, ele é comum, não é um 'erro' exclusivo de Paranapiacaba.
    O relógio cuco aqui da minha sala também tem esse 'erro'.

    ResponderExcluir
  9. A história de erro entre o IV e o VI é a que mais ouvi até hoje, pois confundiria o leitor em determinadas circunstancias, como um espelho por exemplo!
    Poisé! Como ficou claro pelos coments acima, independente de qual a origem do IIII, ele é comum, não é um 'erro' exclusivo de Paranapiacaba.
    O relógio cuco aqui da minha sala também tem esse 'erro'.

    ResponderExcluir
  10. Nos relógios de muitas igrejas de Minas,também existe IIII

    ResponderExcluir
  11. Nos relógios de muitas igrejas de Minas,também existe IIII

    ResponderExcluir
  12. Essa confusão de iv pra vi, é irrelevante! Pois a posição é diferente, difícil de confundir, tanto existem relógios sem número!

    ResponderExcluir